NOSSOS FILHOS NÃO SÃO NOSSOS, MAS DELES MESMOS E DO MUNDO.

NOSSOS FILHOS NÃO SÃO NOSSOS, MAS DELES MESMOS E DO MUNDO.

A primeira coisa que todos os pais deveriam saber sobre seus filhos é a máxima que diz: “Nossos filhos não são nossos, mas deles mesmos e do mundo”. Como diz Kalil Gibran, os filhos “Vem através de vós, mas de vós. Embora vivam convosco, não vos pertencem”. Quem duvida desse princípio, vale refletir: É por algum esforço nosso que o feto é gerado no corpo, ou apenas permitimos que nosso corpo seja utilizado e talhado pelo grande arquiteto do universo para que os seres venham ao mundo através de nós? Quem gera os filhos não são os pais… é a inteligência da vida. Os filhos nascem por nosso intermédio, mas não por nossa habilidade, nossa inteligência, nossa consciência, mas pela inteligência universal que reside em nosso organismo. Muitos pais esquecem essa verdade e passam a cultivar a ilusão de que os filhos são, de alguma forma, sua propriedade. Nada poderia ser mais falso que isso. Nossos filhos são seres humanos em desenvolvimento do ponto de vista biológico e psicológico, mas são espíritos livres, independentes, e não nos pertencem, não são nossos e nem de ninguém. Por isso devemos sempre respeitar sua individualidade e não tentar molda-los a nossa forma de pensar e viver.

Cuidado e Orientação 

O segundo ponto, muito importante por sinal, diz que nossa tarefa com nossos filhos se constitui em duas vias simples: o cuidado e a orientação. Cuidado significa que os pais receberam a sagrada missão, de tomar conta, responsabilizar-se, ocupar-se e zelar pelos filhos. No entanto, devem fazer isso apenas enquanto ainda eles não são capazes de cuidar de si mesmos. E orientação no sentido de que não se pode forçar os filhos a ser ou fazer aquilo que os pais acreditam ser o melhor para eles. É importante entender que os pais devem apenas mostrar o caminho, e cabe aos filhos seguir por esse trajeto ou escolher seu próprio roteiro de vida. Os pais não podem e não devem forçar os filhos a fazer isso ou aquilo, mas apenas orientar, propor, sugerir, aconselhar, recomendar, mostrar os caminhos, as possíveis trajetórias, com seus perigos, seus percalços, e a forma de percorrer cada estrada da vida, mas os pais não podem conduzir o filho por essa via, nem impor ou forçar algo, podem apenas observa-lo de longe e deixar que ele caminhe por si mesmo.

Permita o Desenvolvimento 

O terceiro ponto é igualmente importante e tem relação com o segundo. Ele diz que os pais jamais devem resolver algo para os filhos, mas deixar que os filhos solucionem seus problemas por si mesmos. Muitos pais veem seus filhos numa situação difícil e sentem-se impelidos a resolver para o filho, fazer por ele, decidir algo para que o filho não decida, solucionar um enigma para que o filho não precise ter trabalho em encontrar uma solução. Ninguém deve duvidar que essa atitude impede o desenvolvimento dos filhos e cria indivíduos acomodados, apáticos, dependentes e por vezes tiranos, que exigem que os pais sempre façam aquilo que lhe cabe fazer. Nesse âmbito é essencial deixar o filho o mais livre possível para resolver seus problemas, ainda mais os problemas criados por ele mesmo. Por outro lado, colocar algum peso de responsabilidade neles desde cedo ajuda em seu amadurecimento. Fazer tudo por eles, ao contrário, atrasa seu desenvolvimento e cria indivíduos paralisados e inaptos para a vida.

Filhos também Ensinam

O quarto ponto diz que ninguém deve acreditar que os pais são os únicos que devem orientar os filhos. Essa é uma ideia equivocada e limitada. Muitas vezes os filhos ensinam muito mais os pais do que os pais ensinam os filhos. Aqui não há uma hierarquia paterna e materna, mas como já dissemos, uma parceria espiritual. Há filhos que são espíritos mais evoluídos ou bem mais evoluídos que os pais. Hoje em dia isso é uma realidade cada vez mais evidente. Algumas crianças que vêm nascendo neste mundo são espíritos missionários, seres de luz, que vem ao seio de uma família mais para ensinar do que para aprender. Portanto, a verdade é que os papéis humanos são ilusórios e, fundamentalmente, todos somos espíritos em parceria evolutiva, onde no laboratório familiar, aprendemos o ABC das lições da eternidade.

Cada um com sua Vida

O quinto ponto fala de duas questões que estão entrelaçadas. A primeira é que os pais muitas vezes projetam nos filhos aquilo que desejaram para si mesmos e conquistaram, ou não conseguiram alcançar durante suas vidas. A segunda é que os pais frequentemente reproduzem a criação dos seus próprios pais nos filhos, e assim uma espécie de onda de erros familiar vai sendo disseminada de geração em geração, até que alguma das gerações resolva interromper o ciclo e não crie os filhos com os mesmos erros com que foi criado. Essas são duas questões importantes e que o pai e a mãe deveriam sempre refletir. É preciso muito cuidado para não agir com os filhos da mesma forma que nossos pais agiram conosco ou cair no extremo oposto, que também é um grande erro. Por exemplo, se um pai teve uma educação rígida, ele pode passar ao filho essa mesma educação fria e endurecida. Mas também pode cair no oposto e dar uma educação libertina, onde os filhos podem tudo e vivem sem qualquer limite. É preciso tomar cuidado para não tentar se curar da educação que recebemos com os exageros do outro extremo. Por outro lado, não devemos jamais misturar nossos desejos com os desejos dos nossos filhos. O pai pode ser militar, mas não necessariamente é melhor para o filho seguir seus passos e entrar para o exército. Uma mãe pode ter casado virgem, mas não necessariamente o melhor hoje para sua filha é também casar-se virgem. Nesse sentido, os pais devem sempre respeitar as escolhas dos filhos e procurar evitar ao máximo projetar neles seus próprios desejos realizados ou não realizados. Muitos pais frustrados, que não conseguiram o que almejaram na vida, podem exigir que os filhos sigam por um caminho que não é o dele, mas sim o caminho que o pai queria trilhar, e não o fez. Um pai que desejava ser atleta e não realizou esse sonho pode tentar se realizar através do filho. Esse é um erro considerável, que pode prejudicar muito o jovem em desenvolvimento e desvia-lo de seu caminho. Nesse terreno, é preciso muito cuidado para não projetar nos filhos nossos próprios desejos e respeitar sempre sua particularidade e identidade.

Seja o Exemplo

O sexto ponto diz respeito a forma de educar os filhos. Não apenas as crianças, mas também os adultos nos ouvem e nos respeitam mais pelo nosso exemplo do que pelas nossas palavras. Ninguém pode ter respeito ou querer seguir alguém que ensina uma coisa, mas não é o exemplo daquilo que prega. Filhos seguem muito mais o nosso exemplo do que os nossos ensinamentos. Isso significa que, se você deseja transmitir uma mensagem ao seu filho, ensine mais com seu modo de ser do que com suas palavras. Os filhos começam seu aprendizados através da imitação e o primeiro modelo que eles têm acesso são seus pais, que começam sendo seus heróis, idealizados e cheios de poder. Esse é o momento em que os filhos estão mais receptivos a influência positiva ou negativa dos pais. Se o pai não é o exemplo daquilo que ensina, suas lições terão muito pouco impacto nos filhos, mas se o pai ou a mãe é o modelo daquilo que deseja ensinar, as palavras são dispensáveis, pois o exemplo já traduziu tudo o que seria necessário dizer.

Extraído da pagina ´´Espiritualidade e Amor“

One response to “NOSSOS FILHOS NÃO SÃO NOSSOS, MAS DELES MESMOS E DO MUNDO.”

  1. Kellen Patrícia disse:

    Muito edificante esse texto, e um alerta para todos nós pais!

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